24 de mai de 2017

Velozes e Antigos - Lamborghini Miura

Lamborghini Miura P400S 1969
Velozes e Antigos
Caros seguidores, eis que chegamos a um post especial: a Miura! Elaboramos uma leitura especial para os entusiastas e estamos postando hoje, um dia após o aniversário de 3 anos do Velozes e Antigos BR! Apreciem...
"Pouquíssimos carros conseguiram mudar o mundo automotivo como a Miura. Com o seu motor V12 central e corpo fascinante, o dois-lugares da icônica fabricante de carros redefiniu o conceito de um carro esportivo. Como prova disso, em sua estréia, a Miura era o carro mais rápido no mundo: com uma velocidade máxima de 280 km/h e uma aceleração de 0 a 100 km/h em 6.7 segundos, a Lamborghini Miura estabeleceu novos padrões no segmento de carros esportivos."

Imagine poder escrever isso sobre um carro produzido pela sua fábrica décadas depois de a produção de tal carro ter sido encerrada. Pois foi isso que a Lamborghini fez em seu site oficial, relembrando uma época de ouro de 50 anos atrás para a fábrica de Sant'Agata Bolognese, na região Norte da Itália.

De fato a Miura é um dos carros que mais influenciaram o universo automotivo ao propor um esportivo de 2 lugares, com carroceria em forma de cunha, motor central, tração traseira e desempenho deslocado para cima na curva dos esportivos da época. E isso tudo aliado a uma dirigibilidade mais confortável em relação aos esportivos com motor central anteriores à sua época de lançamento.

A Miura teve 764 unidades produzidas de 1966 a 1973 em Sant'Agata Bolognese em 3 versões de série e algumas versões especiais. A primeira das versões em série foi a P400, que teve 275 unidades produzidas entre 1966 e 1968 e possuía 345 hp. O nome P400 era uma alusão ao motor traseiro de 4 litros, ou "Posteriore 4 litri" em italiano. Na prática eram 3929 cm³, mas nós entendemos a ideia...

A segunda versão de série teve 388 unidades produzidas de 1968 a 1971 e era chamada P400S. Ela tinha 365hp, 20 hp a mais que a P400, graças aos dutos de admissão 2 mm mais largos e diferentes comandos de válvulas - lembrando que o V12 possuía duplo comando de válvulas em cada bancada de cilindros.

Apreciem a ficha técnica para tentar entender o nível de performance da Miura na época e aproveitem para imaginar como seria guiar um touro selvagem desse pelas belas estradas do norte da Itália, embalado pelo rugido do V12 posicionado a alguns centímetros de seus ouvidos. Some a isso ainda a leve carroceria de ótimo coeficiente aerodinâmico, o câmbio manual de 5 marchas do tradicional tipo grelha, a suspensão independente nos 4 cantos e os 365 hp a 7700 rpm e está formada uma das melhores experiências de direção que um automóvel pode proporcionar. Mais um caso em que a melhor música para a viagem é a própria sinfonia mecânica.

Entretanto, nem tudo são rosas. A dianteira da Miura gerava sustentação em altas velocidades, o que acabava por interfer na dirigibilidade. O experiente piloto de testes neozelandês Bob Wallace (que teve uma carreira incrível, por sinal) modificou uma Miura de testes e solucionou a questão ao instalar um splitter frontal e faróis fixos cobertos por uma bolha de acrílico. Além disso, várias modificações foram feitas nessa Miura para adequá-la ao Apêndice J da FIA, a categoria de turismo da época, o que explica o seu nome: Miura Jota.

Além disso, a Miura S também passou a ter vidros elétricos, cromados em torno das janelas e dos faróis, novo console superior com novos botões e mais espaço para bagagens graças ao diferente assoalho do espaço de bagagens. Interessante ressaltar que alguns botões de comandos ficavam no teto, como acionadores dos faróis e dos limpadores do para-brisa.

E finalmente a terceira, mais icônica e rara versão de série da Miura foi a SV, de Super Veloce, em italiano. Com apenas 150 unidades produzidas de 1971 a 1973, a Miura SV desenvolvia 380 hp, um aumento de 15 hp em relação à P400S devido ao uso de diferentes comandos de válvulas e carburadores. O principal detalhe estético da SV era a ausência dos característicos "cílios" das Miuras posteriores, um item que divide opiniões até hoje.

Além disso, antes da SV o V12 das Miuras formava uma peça única com a transmissão, solução adotada devido à falta de espaço na traseira no esportivo. A desvantagem era que o óleo usado pelo motor e pelo câmbio era o mesmo, impossibilitando o uso de óleos específicos para cada finalidade. Com a chegada da SV, o V12 e o câmbio de 5 marchas deixaram de formar uma peça única, permitindo o uso de óleos específicos para cada parte.
Essa belíssima P400S 1969 foi fotografada no último fim de semana por este que vos escreve e acreditem, ver uma obra de arte dessa pessoalmente é incrível ao ponto de te fazer repensar sobre qual é o carro mais bonito de todos os tempos. Além dessa unidade, nós do Velozes temos conhecimento de mais 5 Miuras no Brasil! Destas 6, 5 possuem registros modernos e 1 está "desaparecida".

Os registros de época dessa Miura desaparecida apontam para um modelo SV laranja que corria nas ruas São Paulo, prática comum àquele tempo. Em uma dessas corridas, a suposta SV foi batida e posteriormente a sua mecânica foi colocada em um Bianco, modificado pelo próprio Toni Bianco em cerca de 2 semanas incessantes. Até onde sabemos, não existem mais registros da SV e o Bianco acabou parado em uma garagem de um bairro nobre de São Paulo por causa de um impedimento judicial. Finais bem tristes para carros tão importantes, diga-se.
Das outras Miuras, uma é branca, está em São Paulo e é importação de época, tendo participado também de algumas corridas de época. Outra Miura que também está em São Paulo é uma verde, importação moderna. Existe também mais uma no estado, que teve sua última aparição conhecida no momento em que descia de um reboque em uma oficina. Detalhe que em tal aparição, há aproximadamente 10 anos, essa Miura estava com placas amarelas do Rio de Janeiro! Hoje nós sabemos que ela está muito íntegra e bem cuidada.

As outras 2 restantes estão em BH e são uma P400S laranja e essa da foto. A laranja é importação moderna, sendo que provavelmente ela era originalmente preta. E finalmente chegamos a essa Miura S 1969 da foto, que também é importação moderna e originalmente amarela. Se algum de nossos caros leitores souberem de mais informações interessantes sobre as Miuras do nosso país ou sobre o Bianco V12, compartilhem nos comentários, pois a Miura é uma peça muito importante da história dos carros velozes, antigos e clássicos do Brasil.

Ficha técnica:
🔧 Motor: central | V12 | 3929 cm³ | duplo comando de válvulas em cada bancada | 24 válvulas | 4 carburadores de corpo triplo Weber 40 IDL 3C
📈 Potência: 365 hp a 7700 rpm
📉 Torque: 38.7 kgfm a 5500 rpm
🔨 Taxa de compressão: 10.4:1
💪 Câmbio: manual de 5 marchas | tração traseira
💨 0 a 100 km/h (aprox.): 5.5 s
🚦 0 a 400 m. (aprox.): 13.1 s a 180 km/h
🏁 Velocidade máxima (aprox.): 280 km/h
📏 Carroceria (mm): Comprimento -> 4390 | Largura -> 1780 | Entre-eixos -> 2500 | Altura -> 1100
🔩 Peso (aprox.): 1300 kg | 44% dianteira / 56% traseira
↕ Suspensão: independente nos 4 cantos, do tipo duplo A com molas helicoidais, amortecedores telescópios e barras estabilizadoras
📊 Freios: discos ventilados nos 4 cantos | dianteiros -> 300 mm de diâmetro | traseiros -> 307 mm de diâmetro
🚗 Pneus: GR70 VR 15 Pirelli Cinturato

That's all!

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