29 de jan de 2017

Velozes e Antigos - Bugatti Type 57 Stelvio 1938 Gangloff

Foto e texto de Velozes e Antigos
Ano de 1900 na cidade de Milão, Itália. Um jovem de apenas 19 anos vence o Grande Prêmio da cidade com um veículo que ele mesmo construiu e causa espanto em todos, apresentando o potencial da compania que seria fundada com o nome de sua família: Bugatti. O início bem sucedido apontava para um futuro promissor de veículos em que palavras como "elegância", "perfomance" e "imponência" seriam unidas de uma forma singular.


Sendo basicamente o Horacio Pagani do início do século 20, audacioso por chamar os Bentleys de corrida de "os caminhões mais rápidos do planeta", Ettore Bugatti colocava mais arte que desempenho em seus carros. Se a História nos mostra que desempenho não faltava em seus carros, então imagine o que dizer sobre a parte artística. Dentre os maiores feitos, estão o primeiro Grand Prix de Mônaco e duas edições das 24 Horas de Le Mans, por exemplo. Nada mal...

Lançado no Salão de Paris de 1934, o Type 57 teve 710 unidades produzidas em Molsheim, França, até 1939, se consagrando como o maior sucesso da marca francesa. Jean Bugatti, filho de Ettore Bugatti, foi o responsável pelo desenvolvimento do Type 57, bem como do belo design do novo modelo, apresentando 4 versões de carrocerias: Atalante (coupé de 2 lugares), Ventoux (coupé de 4 lugares), Galibier (sedan de 4 lugares) e Stelvio (cabriolet de 4 lugares). Além disso, também existiram algumas variações ao longo de sua produção, a exemplo do 57C, 57C Tank, 57G Tank, 57S, 57SC, 57 S45, Altantic e Aérolithe.

Naquela época, o cliente poderia escolher desenhos de carrocerias da própria Bugatti ou de fábricas independentes, sendo que em ambos os casos existiam customizações individuais, o que explica a singularidade de cada unidade. Entretanto, a maioria esmagadora dos Type 57 teve carrocerias desenhadas pela própria Bugatti, com poucas exceções. Importante ressaltar também que, independentemente do desenho de carroceria escolhido, os veículos eram enviados de Molsheim para as fabricantes de carrocerias. O Type 57 1938 em questão, por exemplo, tem carroceria Stelvio (desenhada pela Bugatti, como já dito) e fabricada pela suíça Gangloff, principal fábrica de carrocerias da Bugatti na época, na cidade francesa de Colmar.

O motor era um 8-em-linha com 3257 cm³, duplo comando no cabeçote, 16 válvulas e carburador Stromberg UUR-2, que desenvolvia 135 hp a 4500 rpm, suficientes para levar os cerca de 1630 kg do Type 57 Stelvio aos 153 km/h! Pode não parecer muito hoje, mas imagine a 79 anos atrás como era chegar a essa velocidade com a capota aberta, o vento levantando os cabelos e um visual bucólico das estradas francesas passando ao seu lado. Só tome cuidado para não chegar muito rápido nas curvas e dar uma de Colin McRae, pois os freios a tambor de 15" nas 4 rodas eram acionados por cabos!

Em 1938 as belíssimas rodas raiadas de alumínio com os freios a tambor embutidos deram lugar a rodas separadas dos tambores, que por sua vez, passaram a ser atuados através de um sistema hidráulico da Lockheed. Mesmo assim, ainda era arriscado dar uma de McRae e foi em uma situação parecida que Jean Bugatti faleceu. Ele estava à bordo de um 57C Tank, veículo vencedor das 24 Horas de Le Mans de 1939, em uma estrada fechada entre Molsheim e Strasbourg, quando se deparou com um ciclista bêbado. Ao tentar desviar, Bugatti bateu o carro e faleceu aos 30 anos no carro que ele mesmo havia projetado.

O motor do Type 57 era derivado do Type 59, um legítimo monoposto de corrida da Bugatti que teve 8 unidades produzidas em 1934 e que desenvolvia 250 hp. Devia correr pouco... Interessante que as câmaras de combustão desse motor eram hemisféricas! Além disso, a transmissão manual de 4 velocidades, um grande avanço em relação ao Type 49, passaria a ser instalada na parte de trás do motor e contaria com apenas uma embreagem. 

Tivemos o prazer de ver esse belíssimo Bugatti na última edição da tradicional exposição de clássicos em Araxá, sendo que na penúltima edição do encontro, em 2014, esse exemplar voltou para a garagem (ou galeria de arte, se preferir) como o Best of Show. Um painel informativo que estava ao lado dele dizia: "Chassi n°#57578. Motor n° #444. No início dos Anos 40 foi trazido ao Brasil por um imigrante que fixou residência no Rio Grande do Sul. Em 1949 foi comprado pelo colecionador de São Paulo, Eduardo Matarazzo, que o adicionou ao acervo do seu museu. Por algum tempo este carro foi emprestado ao Museu Roberto Lee. Em 1995 foi vendido para um colecionador paulista que iniciou sua restauração, porém não finalizou a tarefa. Finalmente foi vendido para o atual proprietário que restaurou o carro de acordo com suas características originais num trabalho minucioso auxiliado por aficionados da marca na França."

Há 3 anos, em Abril de 2014, um exemplar muito semelhante ao da foto tinha expectativa de ser arrematado em um leilão da RM Sotheby's entre 850k a 1mi de dólares. Com isso, já dá para ter ideia do valor financeiro desse exemplar. E tendo em vista que nas décadas passadas já chegaram a existir cerca de 50 Bugattis em terras tupiniquins, esse exemplar de 1938 é um veículo extremamente precioso da história do antigomobilismo brasileiro e, infelizmente, o único Bugatti antigo a ainda habitar o país. Esperamos que ele não siga o caminho de seus conterrâneos, que foram exportados, muitas vezes a preço de banana.

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🔧 Motor: dianteiro | 8 cilindros em linha | 3257 cm³ | duplo comando no cabeçote | 16 válvulas | carburador Stromberg UUR-2
📈 Potência: 135 hp a 4500 rpm
📉 Torque:
🔨 Taxa de compressão:
💪 Câmbio: manual de 4 marchas | tração traseira
💨 0 a 100 km/h (aprox.):
🚦 0 a 400 m. (aprox.):
🏁 Velocidade máxima (aprox.): 153 km/h
📏 Carroceria (mm): Comprimento -> 3302 | Largura -> | Entre-eixos -> | Altura ->
🔩 Peso (aprox.): 1630 kg
↕ Suspensão: dianteira -> eixo rígido com molas semi-elípticas, amortecedores Hartford | traseira -> amortecedores Hartford
📊 Freios: tambores de 15" nas 4 rodas, operados por cabos
🚗 Pneus:

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