25 de ago de 2016

Pensata

Na prática, brasileiro só afivela cinto de segurança nos bancos dianteiros do automóvel. No traseiro, vans ou ônibus, quase ninguém se lembra dele.
Embora um tanto precárias, dizem as estatísticas que apenas 1/3 de quem vai no banco traseiro do automóvel usa o cinto. Nas vans e ônibus (intermunicipais e interestaduais), o quadro ainda é pior: nem 5% dos passageiros usam o cinto.
O motorista do ônibus é obrigado, antes de começar a viagem, a alertar os passageiros sobre a obrigatoriedade do cinto. Mas poucos o fazem. Outro problema é de a fiscalização nas estradas ser precária. Finalmente, o uso do cinto de segurança no ônibus ajuda, mas não resolve. Porque no Brasil os ônibus usam cintos do tipo de dois pontos, chamados de subabdominais. No Primeiro Mundo, sãodo tipo três pontos, como os dos automóveis. Havia um projeto de lei, na Câmara dos Deputados, para se tornar obrigatório o cinto de três pontos nos ônibus. Devidamente engavetado no ano passado pela comissão encarregada de analisá-lo. Falou novamente mais alto o lobby das empresas de ônibus, preocupadas com este investimento adicional sem retorno financeiro. Aprovado, ele só teria a vantagem de salvar algumas dezenas de vidas, mais nada...

Outro imbróglio com os cintos de três pontos, difícil de se resolver, é o das vans escolares. Seria obrigatória a cadeirinha infantil nestas vans, desde janeiro deste ano. Entretanto, mesmo as cadeirinhas de projeto mais antigo, menos eficientes e seguras que as mais modernas (Isofix), exigem que a van tenha cinto de três pontos para serem dependuradas nos bancos. Mas, quase 100% delas são equipadas somente com os cintos sub-abdominais, de dois pontos. Um “gênio” do Denatran chegou a sugerir que se adaptasse um terceiro ponto de fixação para viabilizar o uso das cadeirinhas, sem sequer imaginar ser impossível, tecnicamente, esta solução. Este é o nível de ignorância dos responsáveis pela segurança veicular no Brasil. O jeito foi então criar uma comissão para estudar o assunto e a obrigatoriedade adiada para 2017. Sem a presença do “gênio”...

Texto de Boris Feldman
Fonte http://hojeemdia.com.br/opini%C3%A3o/colunas/boris-feldman-1.335048/a-seguran%C3%A7a-veicular-e-os-g%C3%AAnios-do-governo-1.406720

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