29 de jun de 2016

Pensata

Seminovo ou semivelho?
Já se foi o tempo em que o candidato à compra de um carro rodava pelas lojas antes de se decidir. Hoje, ele começa sua busca pela internet, seja do carro zero km ou do usado. A decisão pelo “zero” é mais simples pois trata-se de um commodity, ou seja, nenhuma diferença em qualquer loja e o que pode atrair o freguês é o desconto ou o atendimento. Mas, o carro usado exige cuidado maior. Bem maior, pois a situação chega a ser inversa: se o peço for muito mais baixo, melhor desconfiar...
Na internet existem dezenas de portais oferecendo carros usados e o negócio não pode ser fechado sem que o interessado examine pessoalmente o que está sendo oferecido. Não é difícil perceber se o dono anterior tratava do carro com cuidado, se a manutenção foi realizada de acordo com o manual, se não sofreu um acidente sério, etc.

Mas, existem casos que exigem extremo cuidado. Um bom exemplo é o caso do carro anunciado por um preço muito baixo, bem inferior à média do mercado, das tabelas do tipo Fipe. São duas as hipóteses que justificam o valor atrativo:

1 – o carro sofreu um grave acidente, deu “perda total”, foi arrematado no leilão por uma oficina sem escrúpulos, reparado mal e porcamente e colocado à venda por uma loja ainda mais desonesta. Há tentativas de se fiscalizar estas distorções, de se ter certeza que o carro foi para um desmanche, mas a bandalheira é mais forte.

2 – o carro anunciado não é o da foto que aparece no portal. Ou seja: a loja (ou o particular) tem um carro em péssimo estado mas engana o interessado com a foto de um outro em estado de zero km. Como o preço é muito atraente, o freguês liga e pede mais detalhes. O vendedor diz que já recebeu muitas ligações e exige o depósito de um valor a título de sinal, para garantir o negócio. No dia seguinte, ao chegar ao endereço, pode-se encontrar um carro que não tem nada a ver com o da foto no portal, ou nem encontrar o carro nem o endereço, pois tratava-se de um verdadeiro conto do vigário.

Texto de Boris Feldman
Fonte http://hojeemdia.com.br/opini%C3%A3o/colunas/boris-feldman-1.335048/seminovo-ou-semivelho-1.394026

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