8 de dez de 2015

Garagem

Novidade?
Cada vez que se anuncia uma nova tecnologia no automóvel, eu costumo me divertir à beça. São dispositivos que agregam segurança, conforto, eficiência e outros mimos para motorista e passageiros, desenvolvidos com recursos eletrônicos. Mas nem mesmo os engenheiros que os projetaram imaginam que quase todos existiram no passado. Às vezes em automóveis fabricados há mais de um século. Só curtidores (como eu...) de carros antigos para rir destas “novidades”...
Injeção direta – Tecnologia “super moderna” que injeta o combustível diretamente na câmara de combustão, aumentando potência e reduzindo consumo e emissões. Já existia em 1953, desenvolvido pela Bosch e lançado pela Mercedes-Benz na 300 SL (Asa de Gaivota).

Flex – Revolução tecnológica que permite o uso simultâneo de gasolina e etanol, foi apresentada no Brasil em 2003. Mas o Ford “Modelo T” (de 1908) também queimava os dois combustíveis. Era só avançar (ou atrasar) a alavanca esquerda do “bigode” (por isso o apelido “For-de-Bigode”) para regular o distribuidor. E a mistura ar/combustível ajustada por um botãozinho no painel.

Automático – Por falar em For-de-Bigode, a GM lançou, na década de 40, o câmbio automático, sem embreagem e alavanca de mudanças. Mas o mesmo Ford “T” também não tinha pedal de embreagem nem alavanca de mudanças...

Elétrico – Carro elétrico é o futuro do automóvel? Não, é o passado: em 1828 já rodava na Hungria uma “coisa” movida eletricamente. E só no final do século 19 surgiu o primeiro veículo com motor a combustão (Benz, 1886). Os elétricos acabaram não vingando pelo mesmo motivo que os travam até hoje: bateria muito cara, pesada e demanda muito tempo de recarga para pouca autonomia.

“Hill Holder” – Ou “Auto Holder”, denominações chiques, em inglês, do dispositivo que mantem o carro freiado na subida. O motorista pode tirar o pé do freio e manter apenas a embreagem apertada que o carro fica imóvel. E só anda quando se solta o pedal da embreagem (ou se pisa no acelerador, caso dos automáticos), evitando que o carro ande para trás ao arrancar. Nenhuma novidade: nos anos 40 existia o mesmo sistema (chamado “Freio de Rampa”) patenteado pela Studebaker.

Híbrido – Notável avanço, o carro com motores a combustão e elétrico. Só do Prius, a Toyota já vendeu cerca de seis milhões de unidades. Seu inventor não foi nenhum japonês, mas um engenheiro muito conhecido: Ferdinand Porsche (ele mesmo...) construiu, em 1900, o Lohner-Porsche com motores elétricos nas rodas acionados por uma bateria carregada por um motor a gasolina.

Turbina – Com o “downsizing” na moda, turbinar um motor é essencial para aumentar a cavalaria reduzindo cilindrada e consumo. Nenhuma novidade também, pois existe há quase 100 anos: foi inventada no início do século XX e estreou em 1920 em locomotivas a diesel.

“Cylinders on demand” – sistema que desliga alguns cilindros do motor quando sensores percebem serem dispensáveis. Lançado recentemente para reduzir consumo e emissões, existiu nos Cadillac dos anos 80. Eram V-8 que viravam V-6 ou V-4. Não vingaram na época pois faltava a eletrônica para comandar o processo. Mas existiram...

Três cilindros – Depois de muitos anos com motores 1.0 de quatro cilindros, os engenheiros se lembraram de eliminar um deles para ganhar eficiência ao reduzir atrito, geração de calor e peso. Só no Brasil existem hoje cinco marcas (VW, Hyundai, Kia, Ford, Nissan) com esta tecnologia, além de outras já anunciadas. Curiosamente, eu tenho na garage um carro com motor DKW, 1.0 de três cilindros, lançado no Brasil em 1957....

Texto de Boris Feldman
http://www.hojeemdia.com.br/m-blogs/boris-feldman-1.290493/novidade-kkkkkkkkk-1.364882

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