14 de jul de 2015

Pensata

Nosso automóvel é o mais caro do mundo?
Nunca foi, pois qualquer comparativo se valia do dólar como moeda de referência. Circulavam na internet inúmeros textos provando que o carro brasileiro custava o dobro que seu similar em outros países. Até uma revista norte-americana publicou matéria comparando estes preços, também se esquecendo em suas contas de considerar dois fatores:

1 – O câmbio distorcido provocou um dólar sub-valorizado, cotado em menos de R$ 2,00 durante muitos anos, até 2013. Uma óbvia distorção, pois a moeda norte-americana voltou a valer nesta época o mesmo que valia nos anos 2000.

2 - O “Custo Brasil”: incide sobre o preço dos nossos produtos os elevadíssimos custos dos portos e estradas em frangalhos, da energia elétrica, encargos trabalhistas e, finalmente, o imposto cobrado pelo governo. Nosso automóvel paga de 30 a 40% entre tributos federais e estaduais, enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, paga-se apenas 6%. Na Europa, entre 14 e 20%. Então, de cada R$ 10 mil que o brasileiro paga num carro, ele deixa R$ 4 mil para os cofres públicos.

Todos os textos que reclamavam contra os preços dos nossos automóveis tinham um único argumento: a ganância das fábricas no Brasil por lucros exorbitantes.

Não estavam errados e a rentabilidade da indústria local estava mesmo entre as maiores do mundo. As fábricas, sempre que puderam, enfiaram mesmo a mão no bolso do brasileiro. Mas não eram as principais responsáveis pelo preço nas alturas.

O panorama se reverteu. Sumiram os textos de internet praguejando contra o preço dos nossos automóveis no Brasil pois o fator mais importante a jogar o custo para as nuvens desapareceu: o real super valorizado.

Bastou a correção cambial cotar o dólar a mais de R$ 3,00 para equiparar o preço do carro brasileiro ao similar em outros países e jogar por terra toda a argumentação dos internautas de plantão.

No passado, com o dólar a R$ 2,00, um modelo nosso vendido a R$ 30 mil valia U$ 15 mil. Com a correção cambial, seu preço “caiu” para menos de U$ 10 mil. Existem casos de automóveis brasileiros custando hoje menos que seus similares em outros países.

Além disso, houve também uma redução do preço em reais pois fábricas e concessionárias estão super estocadas, concedendo férias coletivas e descontos gigantescos.

O reajuste cambial permitiu também às fábricas voltarem a pensar na exportação de seus produtos, praticamente eliminada com o dólar valendo em 2012 o mesmo que em 2.000.

Embora a desvalorização do real tenha um efeito negativo no custo de produção de um automóvel: ele em função da dependência de importação de componentes para sua linha de montagem.

Texto de Boris Feldman
http://www.hojeemdia.com.br/m-blogs/boris-feldman-1.290493/pre%C3%A7os-dos-carros-cad%C3%AA-os-internautas-de-plant%C3%A3o-1.331996

1 comentários:

  1. eu penso a mesma coisas, ouço tbm falarem que os carros do chile são baratos, mas se observar segue a mesma filosofia dos eua e nos aqui no brasil, pq a moeda dos eua é mais valorizadas que a nossa e nos em relação ao chile ou paraguay é a mesma coisas, é um assunto complexo, mas o problema é que as pessoas não pensam muito sobre as coisas e já vão replicando o que elas escutam por ai sem observar as coisa

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