25 de jun de 2015

Pensata

É maldição?
Nenhum combustível brasileiro se enquadra nos padrões internacionais. Parece ter uma maldição pesando sobre eles, a começar pela gasolina. Ela foi, há algumas décadas, uma das piores do mundo. Fábricas na Europa que exportavam automóveis para o Brasil tinham que modificar o motor para não sofrer com nossa pobre e suja gasolina. Pobre em octanagem, suja pelo alto teor de enxofre.
Nos últimos tempos, ela veio ganhando em qualidade, a octanagem subiu graças ao etanol, o teor de enxofre reduziu (S-10) e ela hoje poderia se comparar com as melhores do mundo. Mas perde pela “maldição”, o inexplicável excesso de etanol, que já está em absurdos 27%. Aliás, explicável: é o governo de Da. Dilma agradando aos usineiros, depois de ter quase quebrado o setor ao segurar por anos o preço da gasolina. E, se o prezado está (como eu) escandalizado com o percentual de 27%, saiba que a próxima demanda dos produtores de etanol será de subir para 30%. Não dá para acreditar? Dá sim: a Petrobras já testou a gasolina com este percentual de álcool. E, como tem o rabo preso com o governo, afirma não ter nenhum problema técnico... Aliás, a associação das fábricas (Anfavea) testou modelos importados (que só funcionam com gasolina) com os 27% e “concluiu” não haver problemas técnicos. Para evitar um previsível problema político...

Quanto ao etanol, ninguém foi capaz de explicar o porquê de não se adotar no Brasil a mesma solução inteligente de misturar 15% de gasolina ao álcool, como nos Estados Unidos. O chamado E85 evitou o famigerado tanquinho de gasolina para partida a frio nos carros movidos a etanol.

O diesel é outra aberração tupiniquim: automóveis no mundo inteiro (inclusive em nossos países vizinhos da América do Sul) rodam com este combustível, mas no Brasil a burrocracia governamental decidiu proibi-lo há alguns anos e proibido está. “Polui muito” diz um burrocrata do governo, sem ter noção de toda a modernização aplicada nos motores diesel. Ou sem ter ideia de que parte dele já é composta de biodiesel. “Por ser importado” diz seu colega na sala ao lado, sem ter ideia de que parte de todos nossos combustíveis é importada.

Não sabem o que dizem, mas para eles está reservado o reino dos céus.


texto original: http://www.hojeemdia.com.br/m-blogs/boris-feldman-1.290493/%C3%A9-maldi%C3%A7%C3%A3o-1.322068

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