31 de mar de 2014

Consumo real de Combustível

"Quanto o carro consome de combustível sempre foi uma preocupação dos donos de automóveis, até nos tempos de gasolina barata nos Estados Unidos dos anos 1950. Só não é preocupação nos países do Oriente Médio produtores de petróleo e na Venezuela (pode ser que tenha mudado em razão dos governos socialistas-bolivarianos iniciados pelo imbecil do Hugo Chávez e continuado pelo cara que o sucedeu), onde a gasolina tem preço irrisório.
Não existe nada mais variável que o consumo de combustível. São tantos os fatores envolvidos que se vêem número totalmente discrepantes no mesmo carro. A começar pela maneira de dirigir, que tem influência direta no consumo — quanto mais potência se utilizar, mais o carro consome. Vejo aqui no Ae leitores informarem números expressivos de baixo consumo, outros dizendo ao contrário. Entre as variáveis pode-se citar:

- estado do veículo (condição mecânica, alinhamento de rodas, pressão de enchimento dos pneus
- topografia do terreno onde está a estrada ou rua
- fluidez do trânsito maior ou menor
- carga a bordo (além do peso, traseira afundada faz piorar a aerodinâmica)
- alterações de aerodinâmica (bagageiro de teto, pneus trocados por mais largos)
- temperatura ambiente (mais calor, mais consumo, o avanço de ignição diminui com mais calor)
- versão do veículo (os mais "completos" tendem a consumir mais)
- composição do combustível (gasolina "batizada" com mais álcool ou este "batizado" com mais água)

Esses são alguns dos exemplos do elenco de variáveis que influenciam o consumo. Há outras, como quando se mede consumo tanque-a-tanque, pois a vazão da mesma bomba no posto pode variar, o tanque pode não ter sido enchido exatamente ao mesmo ponto do abastecimento anterior, abastecer num dia muito quente pode resultar em aumento do volume da combustível.

Variação no reabastecimento (foto blogdaale.com.br)

Por essa razão só há uma maneira de estabelecer o consumo de um carro: no laboratório "rodando" sobre um rolo dinamométrico e "dirigido" de maneira padronizada sob determinada norma técnica com a existente em vários países ou regiões como a Europa. Isso com combustível controlado, com as características legais, por exemplo, no Brasil gasolina E22, gasolina com 22% de álcool anidro. Para medir o combustível gasto e calcular-se o consumo, um medidor de vazão de combustível em litros, como o PLU, é aplicado ao veículo. A sala é climatizada a 25 °C e aplicam-se correções de altitude, pois dificilmente o laboratório está no nível do mar. Esse rodar controlado é efeito mediante ciclos, o urbano e o rodoviário.

As fábricas sempre informaram o consumo determinado pela norma brasileira, a NBR 7024 — até que começaram a pipocar ações na Justiça por "ispertos" argumentando que o consumo dos seus carros não conferia com o que o fabricante dizia ser e juízes menos avisados acreditando no reclamante sem conhecer o lado técnico da questão, dando-lhe ganho de causa. Resultado, as fábricas pararam de informar consumo, em justa defesa. E isso não aconteceu só no Brasil, nos EUA e Europa também, obrigando os reguladores das agências de tráfego a reformularem os padrões de medição e cálculo. Aqui, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), modificou o padrão da NBR 7024 aplicando uma correção nos números obtidos, 29% no ciclo rodoviário e 22% no urbano, de modo a aproximar o mais possível os números de laboratório daqueles do mundo real. Mas mesmo assim é ressalvado que o que é informado pode variar em razão de variáveis, entre elas a maneira de dirigir. E com o consumo agora sob a chancela do Inmetro, que é vinculado ao Ministério da Indústria e do Comércio, juízes têm mais base para decidir, dando um basta aos espertos que querem levar vantagem.

Etiqueta do Inmetro, ver nota "Importante" no pé dele

Os novos números oficiais não querem dizer que o carro poderá consumir até os limites informados, poderá gastar menos se o motorista usar técnicas de condução apropriadas, embora implique em velocidades muito baixas. Há uma história envolvendo o competente jornalista gaúcho Valter Boor, infelizmente já falecido (março de 2003, aos 70 anos), que era campeão dos testes de economia que as fábricas fazem de vez em quando, ele conseguia números quase miraculosos. Poderia estar fazendo o maior calor que ele andava com vidros e ventilação de cabine fechados e motor quase em marcha-lenta na última marcha.

Isso explica consumos obtidos por leitores que numa primeira análise são impossíveis, mas que na verdade são plenamente viáveis.

Há um dado curioso, fruto da minha experiência de 57 anos no banco do motorista: o consumo na cidade é o mesmo do na estrada andando de pé em baixo...

Há outra variável de consumo que não citei, estado de espírito. Um motorista calmo leva o carro a consumir menos do que o mesmo veículo dirigido por alguém tenso, irado. Uma vez li estudo a respeito numa revista americana que falava em variação de consumo de até 40% somente devido a esse fator. Até nas corridas ele existe, por incrível que pareça, mesmo que dois pilotos virem no mesmo tempo no mesmo carro.

Portanto, dirigir com calma ajuda a economizar combustível.

BS"

Texto retirado do site http://autoentusiastas.blogspot.com.br/
Postado por: Bob Sharp

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