14 de jul de 2011

OUTRO LADO DA HISTÓRIA

 
Os recentes acidentes envolvendo carros exclusivos tomaram conta dos noticiários sensacionalistas do Brasil. Sempre o culpado é a pessoa com maior poder aquisitivo ou que estava ao volante de um superesportivo. Centenas de acidentes mais graves ocorrem diariamente no Brasil, mas nestes os envolvidos não são ricos ou influentes na sociedade, são simplesmente pessoas “normais”, que não geram audiência para a nossa vergonhosa mídia de massa. O texto abaixo mostra o lado que os meios de comunicação de massa não mostram, e na minha opinião, o lado mais coerente da historia.
 
OUTRO LADO DA HISTÓRIA
Postado por Carlos Mauricio Farjoun
 
Mais uma tragédia no trânsito de São Paulo. Um Porsche, segundo a perícia, vinha a 150 km/h pela rua Tabapuã, uma rua comercial do nobre bairro Itaim Bibi. Em uma de suas travessas, a rua Bandeira Paulista, ele colheu um Hyundai Tucson que atravessava a via, matando sua motorista, uma advogada de 28 anos. Triste e trágico.
A imprensa logo se apressou em condenar o motorista do Porsche. Parece que os jornalistas, em geral por aqui, têm um viés esquerdista-invejoso, até chegando a ter um mórbido prazer em culpar uma pessoa de posses que causa um acidente com seu carrão. Mas ressalto um fato que foi mencionado nas reportagens, mas não foi dada a devida ênfase a ele: a advogada avançou o sinal vermelho, segundo uma testemunha que estava atrás do carro dela e a viu avançar em baixa velocidade o semáforo do cruzamento com a rua Tabapuã.

Apesar de em momento algum eu afirmar que é correto andar a 150 km/h dentro de perímetro urbano e - pior - numa rua cheia de travessas, não posso deixar de notar a grande culpa da vítima neste acidente, estando a imprensa mais preocupada em noticiar a culpa do motorista do Porsche e quase comemorando a sua indiciação por homicídio doloso.
A imprensa desinforma colocando como se a velocidade fosse a grande causadora da tragédia. Na verdade, a maior causa foi o desrespeito à sinalização que determina quem tem o direito de passagem, no caso, o semáforo.

Tentemos olhar o ocorrido pelo lado do motorista do Porsche: Era madrugada e ele viu uma rua vazia e com os semáforos todos verdes para ele. Quem tem um Porsche normalmente gosta de velocidade. Com as vias mais largas de São Paulo coalhadas dos arrecadadores radares (e agora mais arrecadadores ainda, com os limites de velocidade recentemente reduzidos em vários corredores importantes), ele viu a chance de dar uma "esticadinha" - que não é crime, mas infração de trânsito.

Ninguém na rua, semáforos todos verdes e vamos embora, "pedal to the metal". Acelerando o carro (do trecho da Faria Lima até a fatídica esquina são apenas 700 metros), de repente aparece do nada um Tucson que simplesmente varou o semáforo vermelho. À velocidade em que estava não havia o que fazer para evitar a batida, apenas tentar bater com o lado direito do carro para assim tentar preservar o lado do motorista.

Obviamente, repito, que fique bem claro, 150 km/h não é velocidade para se andar ali. É contra a lei e também é totalmente contra o bom-senso. É uma infração de trânsito gravíssima punida com 7 pontos e multa de 574,62 reais e suspensão do direito de dirigir (trafegar a velocidade maior do que 50% além do limite da via, que ali é de 60 km/h).

Porém, mesmo à noite, nunca se deve ignorar um semáforo vermelho. Ainda que, por motivo de segurança pessoal, não seja prudente ficar parado num semáforo, uma vez carro parado vira presa fácil para assaltantes, não se pode cruzar uma via como se o semáforo não existisse, pois pode vir alguém trafegando por ela confiando que é seu o direito de passagem.

Por isso, durante a madrugada, ao se deparar com um semáforo vermelho o recomendável é sempre parar, olhar se não vem ninguém (nessa hora o vidro escurecido atrapalha, e como!) e só então prosseguir. É o que manda a prudência, diante da violência de nossas grandes cidades. Infelizmente a CET ignora a situação de insegurança da cidade de São Paulo e anunciou que está trocando as câmeras de semáforo para que estas multem o avanço de semáforo à noite. Aí poderemos optar: sujeitarmo-nos a uma multa ou expomo-nos a sermos assaltados. Duvido que os bandidos não irão aproveitar a chance de ouro que a CET lhes dará:

Carros paradinhos à noite em ruas ermas, esperando pacientemente o semáforo abrir para não serem multados em 191,54 reais e seu motorista levar 7 pontos na carteira...

Durante um tempo, a prefeitura do Rio de Janeiro teve uma atitude inteligente: As câmeras de semáforo, das 22h00 até as 6h00, passavam a funcionar como lombadas eletrônicas quando o semáforo estava vermelho. Podia-se avançá-lo, mas a no máximo 25 km/h, para obrigar o motorista a reduzir a velocidade, porém sem obrigá-lo a ficar parado expondo-se ao risco de assalto.

Na prática, o mais prudente é encarar o vermelho como se fosse uma placa PARE e fazer o que todos deveriam fazer numa placa PARE: Parar, olhar e prosseguir respeitando a preferência de passagem de quem vem na via transversal.

Foi neste ponto que a advogada falhou, falha esta que terminou lhe custando a vida: Ela desrespeitou a preferência de passagem do Porsche. O motorista do Porsche confiou que a preferência era dele, e era. Apesar de estar cometendo uma infração gravíssima pela velocidade em que trafegava, ainda assim tinha a preferência de passagem dada pelo semáforo verde. E é isso que a imprensa deixa de noticiar: Que, apesar de vítima, a motorista do Tucson também foi a principal causadora do acidente. A velocidade do Porsche apenas agravou muito as suas consequências, mas a causa primária continua sendo o desrespeito à preferência de passagem. Se o cuidado de olhar antes de atravessar tivesse sido tomado, a advogada estaria viva agora.

Preferência de passagem à noite é algo complicado, infelizmente, por causa da falta de educação para o trânsito. Se por um lado o semáforo é uma indicação clara, por outro lado deve-se tomar muito cuidado onde ele não existe, pois muitos motoristas não respeitam a sinalização à noite. E, pelo fato de que muitas vezes a preferência não é respeitada, o prudente é dirigir com cuidado redobrado à noite. Mesmo quando a preferência é sua, não custa reduzir e dar uma olhadinha. É o que os motoristas seguros fazem.

CMF
Fonte: http://autoentusiastas.blogspot.com/2011/07/outro-lado-da-historia.html

9 comentários:

  1. Opnião muito inteligente e bem colocada, geralmente as pessoas so veem um lado da historia principalmente os invejosos

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  2. Com certeza se ela tivesse respeitado o sinal vermelho ESSE acidente não teria acontecido..........mas alguem tem duvidas q se não fosse esse seria outro!!!Um pai de família como eu,com minha mulher e filha de 6 anos no carro!!!
    Não concordo não....OS DOIS estavam errados e não tem esculpa pra nenhum deles,NENHUM DELES!!!!Podeiria ser seus pais um irmão ou um filho,e eu tenho a CERTEZA ABSOLUTA q vc não teria essa opinião!!!

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  3. Uma pena ele tbm não ter morrido!!porque vai matar mais gente,alguem divida?????

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  4. O caso nao é defender ou atacar quem esta certo eu errado, os DOIS estavam errado, entendi que o texto mostra o sensacionalismo da imprensa, pois acidentes como esse ocorrem toda hora a todo tempo, e impresa não comentou nesse acidente o principal que seria o avanço de sinal e a alta velocidade, mas a imprensa enfatizou o PORSCHE, deixando de lado o principal que foi a irresponsabilidade dos dois motorista. Não acho que texto esteja defendendo a irresponsabilidade, mas mostra a opiniao formada em valores financeiros (no caso um exclusivo) e nao em fatos concretos, em velocidades muitos menores e com veiculos piores sem nenhum dispositivo de segurança todos poderiam ter morrido. LUDOVICO

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  5. O texto é bem claro: os dois estavam errados, mas não houve um crime. E a imprensa está tentando condenar o motorista do Porsche. Se ficar provado que ele estava realmente a 150km/h, ele deve sofrer as consequências da legislação de trânsito. Se fosse o contrário, ou seja, quem avançou o sinal matasse quem vinha com sinal verde, aí sim poderia ser interpretado como homicídio doloso. Mas se fossem dois carros populares não estaríamos discutindo isso aqui.

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  6. Pessoal!!!Os dois condutores estavam errados e os dois pagaram as arcaram com as consequencias dos seus erros (uma com a vida e o outro terá que se retratar perante a justiça)...qualquer infração de trânsito gravíssima(avançar o sinal ou dirigir acima do limite de velocidade) pode ser considerado crime de homicídio pois o condutor entende que poderá ocorrer acidente fatal e assume este risco...e não me venha com essa de que se o cara ver todos os sinais da rua em verde ele pode acelerar à 150km...o cara tem um porsche, vai correr em interlagos que é o lugar apropriado...

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  7. "Atire a primeira pedra quem não tem pecado" a questão aqui não é julgar nem culpar ninguém, e sim o sensacionalismo tratado em cima do poder aquisitivo de se ter um veiculo desses , presenciei a cerca de dois meses na periferia de bh um avanço de sinal com duas mortes um uno e um gol, no dia seguinte procurei em todas as meios de divulgação, escrito , televisivo, falado dados sobre o acidente e pasmem, nao achei nada, mesmo tendo hora, local, placas. Enquanto escrevia passou nesse exato momento o programa FANTASTICO da globo e em momento algum atribuiram o acidente ao avanço de sinal mas sim ao PORSCHE, palavra que até onde eu contei falaram mais de 12 vezes a frase "avanço de sinal..." somente uma vez. Então tirem as suas conclusões ....

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  8. a questão é simples de entender... ambos estavam errados, quem escreveu o texto só gostaria que a imprensa deixasse isso claro, e quero dar um exemplo fácil de se entender o quanto a motorista do tucson estava errada: Se no lugar no porshe fosse um motociclista a 60km/h???? quem teria grande chance de morrer??? de quem seria a culpa???? e a pergunta principal: será que a imprensa daria a mesma repercussão ao fato?

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  9. Lamento, lamento muito ao ler um comentário desses.
    Realmente ela errou por avançar o semáforo e isso, pelo menos nos meios de comunicação que assisti e li, foi informado. Se ela estivesse viva e ele morto, ela também merecia ser noticiada com toda ênfase da mídia, mas ela já recebeu a pena máxima perante um erro. Ele, se ficar preso, pelo menos os familiares dele poderão vê-lo todos os dias. Uma pessoa com um comportamento desses é um perigo em potencial. Merece punição sim e acho que os meios de comunicação devem acompanhar de perto o que está acontecendo com ele para que tenhamos, pelo menos, uma falca sensação de justiça.

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